terça-feira, 21 de agosto de 2012

COLÔNIA PENAL DE PORTO VELHO - ONDE NEM OS GATOS SOBREVIVERAM AO INCÊNDIO


Foto: Newton Sérgio (20/08/12)
Caros amigos e amigas leitor@s deste singelo blog de opinião...

Já é madrugada do dia 22 de agosto de 2012!

Ontem (20/08/12) juntamente com o Deputado Federal Padre TON pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, Comissão de Direitos Humanos da ALE/RO, Comissão de Direitos Humanos da OAB e meus amigos do Mandato, jornalista Mara Paraguassú e Newton nos registros audiovisual, visitamos a Colônia Penal em Porto Velho e de modo particular no pavilhão 2 que pegou fogo na semana passada, vitimando 7 detentos (http://www.rondoniadinamica.com/arquivo/incendio-mata-sete-apenados-na-colonia-penal-em-porto-velho,38371.shtml).

A visita me incomodou bastante pois vi detentos de uma colônia penal que não detêem nem o direito a sonhar com a Vida após pagar sua pena.

As informações das Comissões de Direitos Humanos da OAB e da ALE convergem na informação de que morreram carbonizados os 7 detentos e que as condições do alojamento eram precárias, mas divergem no ponto das causas (curto circuito, incendio criminoso, acerto de contas, etc e tal).

Caminhando com certa distância do grupo de autoridades fui observando alguns detalhes. No meio do pouco que sobrou dos destroços, além da fedentina de carne queimada, carcaça de televisão algo me chamou a atenção e pude identificar no diálogo com um agente, que inclusive no dia estava de plantão, que a carcaça de um animal queimado se tratava de um gato, aliás em torno de 6 gatos de estimação morreram no incêndio.

Eu sempre tive a sensação que gato fosse o animal mais rápido ao se sentir em perigo e se "ele foge de água que nem o capeta foge da cruz" - dito popular, como não fugiram do fogo por baixo das beliches rumo ao portão de frestas largas que lhes dava transito livre ao local?

Essa fator me intriga... teriam sido forçados (os gatos) a ficar no local para despistar algo à mais neste episódio ou teriam corrido atrás de seus donos rumo as latrinas (que nunca foram banheiros) na parte dos fundos onde foram encontrados os 7 corpos?

O que ouvi no zum-zum-zum dos homens (detentos) em sua maior parte jovens de até 40 anos, era de que a coisa (o incêndio) foi muito rápido que eles não conseguiram sair porque a fumaça preta e intensa (somado à superlotação de beliches, colchões, aparelhos de som, fiação trançada  - combustível farto), e começou na parte da frente e que o portão ficava aberto o tempo todo, até porque estava emperrado á tempo, sem manutenção... e eles não conseguiram enxergar o caminho de volta...

Um dos detentos em desespero entrou dentro de um reservatório de água mas não foi o suficiente para proteger sua vida...

O sistema prisional no Brasil está em crise profunda... não é fazendo mais presídios que resolverá a situação, mas sim a aplicação de políticas públicas efetivas para evitar a marginalização e de modo particular nas periferias das cidades, onde os bolsões de miséria produzem pais e filhos desesperados, um passo à criminalidade...

Mas em Rondônia a situação é ainda pior, pois nem gatos escapam do sistema prisional com Vida! Faltam-lhes simplesmente OPORTUNIDADE...

Um comentário:

Cidinha Gomes disse...

O que pensar diante deste seu relato? Sentir tristeza apenas não basta.Indignação será a palavra? Não sei, acho pouco para definir os sentimentos. Fico desesperada ao final da análise, pois ao responder a pergunta me vem a cabeça o fato de que atrocidades assim fazem parte da vida de milhões de pessoas por todo o MEU PAÍS.Que desalento!
Quando saímos do nosso mundo e fazemos contato com essa "ficção", sim é tão absurdo que mais parece ficção, bate mesmo é um grande desespero. Lamento!