quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA...SOLIDARIEDADE JÁ!

A GENTE NÃO QUER SÓ COMIDA, QUEREMOS DIREITOS JÁ!


O ano de 2020 mal começou com as maldades do desgoverno atual no Brasil e junto com ele veio do outro lado do mundo, a pandemia de Covid 19, o popular coronavírus.

"Como se fosse combinado, naquele dia no planeta inteiro, ninguém saiu de casa...o dia que a terra parou"... Foi um recordar das profecias do eterno cantor Raul Seixas em sua canção O dia que a Terra parou. Vimos nossas agendas de trabalho de campo, de incidência política e socioambiental, nossa militância de base ir pras nuvens literalmente... dai passamos a depender das midias sociais para tentar pelo menos entender o que estava acontecendo, além das pessoas contaminadas e até morrendo. De repente já não era mais possível cumprimentar pegando nas mãos do vizinho, distância minima de dois metros, o amigo já passou a ser visto com desconfiança, reuniões foram proibidas, viagens, etc e etc...

Ficamos atordoados com tudo isso...paramos todo o processo de articulação presencial e tivemos que aprender a usar as ditas ferramentas virtuais de comunicação, para tocar agendas de trabalho, para falar com vizinhos, amigos, parentes...se estabeleceu uma nova temporalidade e novos aprendizados.

Passamos a olhar os invisíveis ao redor, coletivos, indivíduos sem qualquer condição mínima para enfrentar essa pandemia e essa pane geral no modelo capitalista, gerando milhões de excluídos e atingindo os já excluídos, de modo particular os povos indígenas, populações tradicionais, campesinos e moradores periféricos dos núcleos urbanos.

Muito de pronto a SOLIDARIEDADE tornou-se mais evidente. As cooperações se colocaram prontamente a rever seus apoios a projetos e a redirecionar juntamente com os apoiados, os caminhos da emergência, da urgência nesta tarefa de garantir o direito essencial a Vida. Estes pequenos projetos emergenciais não só permitiram garantir alimentos, produtos de proteção, higiene e limpeza, mas acima de tudo, garantir o direito maior que é a vida, porque #VidasImportam da Mãe Natureza e de suas filhas e filhos.

De modo especial agradecemos a todos que desde abril caminham conosco, seja pela Campanha de doação voluntária em apoio aos Mura, seja através de doações mediante projetos via Coletivo Mura de Porto Velho com apoio do Fundo Socioambiental CASA e via Instituto Madeira Vivo com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos. A campanha de doações de máscaras organizada por professores da UNIR e IFRO de Ji-Paraná tem colaborado para maior proteção a pessoas vulneráveis, bem como a campanha de doações de ovos pela CUFA via KANINDÉ.

Esses apoios permitiram viabilizar ações junto a indígenas que vivem nas cidades, ações de proteção a territórios, de comunidades, a manter o povo na aldeia mediante doações de cestas básicas, materiais de trabalho para construção de casas mais distantes das margens de rodovias, perfuração poço profundo nos Mura do Itaparanã, para assegurar água limpa e diminuir verminoses, pois saúde é direito inalienável.

Convém destacar que o IMV já fez uma representação ao MPF na tentativa de acionar uma mesa de concertação institucional, para acordar responsabilidades compartilhadas na garantia de direitos assegurados aos Povos Indígenas na Convenção 169 da OIT, de modo particular dos Warao que, necessitam urgentemente, neste tempo de pandemia, de garantia de direitos fundamentais: saúde, moradia e alimentação (respeitando suas especificidades).

Estamos em ação na esperança de captar mais apoios e socializar com as pessoas que dependem deste apoio para continuar na luta pela Vida frente a esta pandemia que não tem data para terminar. Toda forma de apoio é bem vinda porque a gente não quer só comer, a gente quer garantir direitos, e a Vida com qualidade é o maior e essencial direito.

As imagens abaixo é um resumo dos resultados dessas doações solidárias que se somam e fazem a diferença na vida da parentada em vários contextos aqui representados:



Ovos para fortalecer o rango e máscaras pra se proteger, parente em Nazaré
Parentas Mura no ato da entrega de máscaras, ovos e produtos alimentares em Nazaré
Parente Parintintin em Nazaré recebe reforço do Coletivo Mura de Pvh com as doações de parceiros.






quinta-feira, 25 de junho de 2020

OFICINA COMUNITÁRIA DE BIODIGESTOR

A AUTONOMIA PASSA PELA AÇÃO COLETIVA

Produzir na comunidade seu próprio biogás pode deixar de ser apenas um sonho;
É ter autonomia, gerar economia e cuidar bem do ambiente em que se vive;
Você produz o gás de cozinha com aproveitamento de resíduos bovinos e o biofertilizante vai para a produção de alimentos livres de agrotóxicos.
Conheça o processo por meio de imagens na Comunidade Primeiro de Maio, Guayajaramerin, Bolívia, em oficina realizada em setembro de 2019. Com assessoria do professor Artur Moret - GPERS\UNIR.

mesa de diálogo - construindo resistências

professor Artur Moret assessora a oficina

montagem coletiva

conexão do sistema até fogão na cozinha

sistema de geração de biogás já preparado


a família gestora deste sistema


participantes da oficina


preparo do material básico do biodigestor - estrume de vaca

Comité binacional Defensor da Vida Amazonica na Cuenca do rio Madeira
realizador da oficina

terça-feira, 26 de maio de 2020

DEIXA SEMPRE UM POUCO DE PERFUME...


A DOR DA PARTIDA DISTANTE

COMO É DOLORIDO SABER DA PARTIDA DE MAIS UMA PESSOA LEVADA PELA COVID 19.
O PARENTE INDÍGENA, O DO CENTRO URBANO, DO ARTISTA, DO POETA, DO CANTOR E DO SEM NOME, SEM TETO, SEM TERRA E DOS SEM ESPERANÇAS...
COMO É DOLORIDO VER AS NOTÍCIAS DIÁRIAS NÃO SÓ DO BRASIL, MAS DA ÁFRICA, DA ÁSIA, DA ÍNDIA, DA EUROPA, DA AMÉRICA DO NORTE, DA AMÉRICA CENTRAL E DO SUL COM MILHARES DE MORTOS...PARECE QUE A GLOBALIZAÇÃO SE OCUPOU DE DISTRIBUIR O VÍRUS, O INIMIGO INVISÍVEL, AS MORTES...
COMO É DOLORIDO ASSISTIR À DOR DAS MÃES E PAIS DO EQUADOR, DOS MORADORES DE GUAYAQUIL SEM SEQUER TER COMO TIRAR OS CORPOS DE DENTRO DE CASA, QUEM DIRÁ LHE DAR UM SEPULTAMENTO DIGNO...ALGUNS QUEIMADOS NO MEIO DA RUA...SERÁ DESUMANIDADE OU HUMANIDADE SEQUESTRADA PELO CAOS...
COMO É DOLORIDO SABER QUE OS YANOMAMI ALÉM DE NÃO PODEREM VER O CORPO DO JOVEM VÍTIMA DO CORONAVÍRUS, TAMBÉM NÃO PUDERAM FAZER O RITUAL DE PASSAGEM...SEU ESPÍRITO SOFRE E SOFRERÃO TAMBÉM OS QUE FICARAM...O ENCANTAMENTO NÃO TEM ESPAÇO EM TEMPO DE PANDEMIA...
COMO É DOLORIDO VER OS PARENTES MURA, KOKAMA, SATERÉ, ENTRE OUTROS, SEQUER SEREM RECONHECIDOS NOS DADOS OFICIAIS COMO INDÍGENAS VÍTIMAS DA PANDEMIA, JÁ QUE O APAGAMENTO “OFICIAL” DA IDENTIDADE E DA MEMÓRIA PARECE SER ESTRATÉGIA DE ETNOCÍDIO E DE GENOCÍDIO...
COMO É DOLORIDO A PARTIDA DE UM ENTE-QUERIDO SEM SEQUER PODER DAR UM ABRAÇO, COM MEDO DA CONTAMINAÇÃO, PELA PROIBIÇÃO, PELA DESUMANIZAÇÃO DO DIREITO À VIDA, A UM SISTEMA PÚBLICO DIGNO DE SAÚDE E NÃO DE MORTE...
COMO É DOLORIDO ASSISTIR ÀS FAMÍLIAS DESESPERADAS TENTANDO NA MARRA ABRIR CAIXÕES EM MANAUS PARA SABER SE DE FATO É PARENTE SEU QUE ALI ESTÁ SENDO SEPULTADO, MESMO SE EXPONDO AO VÍRUS MORTAL, MAS TENTANDO SE DESPEDIR ANTES QUE A VALA COMUM SE FECHE E TENTE SEPULTAR O SOFRIMENTO DE UMA FAMÍLIA...
COMO É DOLORIDO SABER QUE O ARTISTA NÃO AGUENTOU E SE ENFORCOU, TALVEZ POR MEDO DA ESCURIDÃO DA MORTE OU DO MOVIMENTO EM CURSO NO PAÍS...
COMO DÓI VER O SISTEMA SE ALIMENTANDO DA MORTE, AUMENTANDO O LUCRO DOS BANCOS, DAS EMPRESAS, COM OS EMPRÉSTIMOS, AS VENDAS E AS COMPRAS SUPERFATURADAS SÓ COM TOMADAS DE PREÇOS...
COMO DÓI A DESESPERANÇA NO FUTURO...ESSE FUTURO PODERÁ SER PIOR QUE O PRESENTE...PODERÁ TAMBÉM SER SINAL DE ESPERANÇA, DE NOVO...ENTRETANTO, ESSE NOVO NÃO PODE SER QUENTINHA REQUENTADA DO ONTEM...
COMO DÓI A INCERTEZA DA MUDANÇA PRA MELHOR...VIVEMOS A DOR DA PARTIDA DISTANTE, ALIMENTADA PELOS CONTATOS REMOTOS...
COMO DÓI A PARTIDA DE CADA IDOSO E IDOSA DOS BEIRADÕES AMAZONICOS...É COMO UMA ÁRVORE QUE TOMBA CORTADA PELA CORRENTE AFIADA DE UMA MOTOSERRA IMPIEDOSA...

O QUE ME ALIVIA É A ESPERANÇA DE QUE OUTROS TAMBÉM ESTÃO INCOMODADOS!

Iremar Ferreira, 06 de maio de 2020.