sábado, 19 de agosto de 2017

COMUNIDADE CAVALCANTE NO RIO MADEIRA...3 ANOS DEPOIS PEDE SOCORRO!!!!



COMUNIDADE CAVALCANTE NO RIO MADEIRA...3 ANOS DEPOIS PEDE SOCORRO!!!!

Hoje dia 19 de agosto de 2017, eu membro do Instituto Madeira Vivo, juntamente com o engenheiro elétrico, assessor/articulador da Frente por uma Nova Política Energética para o Brasil, Joilson Costa fomos visitar esta comunidade que tenta à duras penas reconstruir suas vidas, duramente afetadas, inundadas em 2014.
Sr. Edemir, vice presidente da associação local nos recebeu na boca do rio Jamari e nos conduziu até lá por cerca de 30 minutos rio Madeira à baixo após o Distrito de São Carlos.
Um grupo de pessoas se juntaram para a roda de conversa, cujo tema central foi a questão energia elétrica.
As mais de 140 famílias cadastradas na associação oriundas das antigas comunidades Terra Caida e Curicacas, além de outras tantas que também ocupam o mesmo espaço na antiga fazenda Eldorado, desapropriada para fins de reassentamento das famílias que perderam tudo com a inundação de 2014, anciosamente esperam soluções para seus problemas.
Antes ambas eram atendidas pela antiga distribuidora CERON e suas terceirizadas, agora vivem dependendo do pouco recurso de cada um para comprar diesel e gerar pelo menos duas horas diárias de energia elétrica...isso mesmo, pelo menos duas horas e gastam mais de R$ 2.800,00 mensais?!
Mas se antes eram atendidas pelo Programa Luz para Todos porque o mesmo desde 2014 não os atende na nova morada forçada? Porque não foi instalado mesmo que provisoriamente alguma estrutura de geração seja ela com motor estacionário ou solar por exemplo? Porque o poder público fiscalizador não cobrou ações dessa envergadura dos responsáveis, já que foram feitas promessas pela Defesa Civil e Eletrobras de que seria instalado geração de energia no local? Porque quem tem sempre que pagar a conta são as próprias vítimas?
No campo da educação por exemplo, por meio de transporte fluvial durante o dia crianças e jovens estudam em São Carlos, mas o estudantes da Educação de Jovens e Adultos noturnos desde 2014 não foram mais atendidos...isso é justo para com dezenas de pessoas que querem ter o direito sagrado à alfabetização? Porque a SEMED não manteve o mesmo direito de acesso onde estão ou em São Carlos? 
No tocante a água consumida a mesma é oriunda do rio Madeira. Não deveria o poder público abastecer de água potável esta comunidade já que ainda vivem em estágio de Alojamento Provisório Emergencial? Não há recursos públicos destinados à este tipo de atendimento?
O importante é que representantes comunitários já encaminharam propostas para solucionar pelo menos a energia, com a religação do motor gerador instalado na antiga Curicacas, com reabertura do Linhão, estendendo-a até Cavalcante, que inclusive já tem parceria comunitária para reabertura e extensão da linha de distribuição. 
Tá passando da hora do Plano Estratégico de Reconstrução dos Distritos atingidos pela Inundação de 2014 com seriedade. Parece que se as comunidades cansam as autoridades descansam e as esquecem...até quando isso ???
Nós assumimos o compromisso de somar aos representantes na pressão junto aos órgãos e autoridades que tem competência e obrigação de colaborar para a melhoria da qualidade de vida destas mais de 140 famílias da Comunidade Cavalcante.
Força Comunidade...nossos agradecimentos a todos e todas que participaram desta roda de diálogo...planejamento participativo se faz junto...

UM RIO EM MINHA VIDA !


RIO MADEIRA: UNS GANHAM, MUITOS PERDEM!
Esse meu rio que já foi canal de escoamento de drogas do sertão rumo à Europa;
Esse meu rio que já foi canal de escoamento de indígenas capturados para trabalhar em fazendas do Grão-Pará;
Esse meu rio que já foi palco de revoltas como a de Juricaba (Manao) e a Cabanagem (a única revolta que o povo assumiu o poder de fato, mesmo que por pouco tempo abaixo da linha do Equador);
Esse meu rio que já foi espoliado pela extração de minérios diversos;
Esse meu rio que já foi caminho da navegação das pelas de borracha para servir à guerra americana no oriente;
Esse meu rio que já sentiu o gosto amargo do deslizar de embarcações cheias de combustível, gás, alimentos e remédios para povos amazônicos e que enriqueceram empresários diversos;
Esse meu rio que sente as mazelas das dragas de garimpo extraindo de suas veias o ouro falso, que pouca riqueza gera porque sai na ilegalidade, embora alimente muitos filhos de tuas beiras;
Esse meu rio que foi extrupado por barramentos em suas cachoeiras, mudando seu curso normal gerando energia elétrica para grupos econômicos transnacionais e consumidores ávidos do restante do Brasil, enquanto filhos teus abaixo e acima continuam com seus direitos inundados e sem um bico de luz se quer;
Esse mesmo rio que agora alimenta o caixa de empresas ricas que ganham competições/licitações marcadas, para retirar de seu leito teus sedimentos e deposita-os em tuas margens, rendendo bilhões de reais para empresas que ajudam empresas à navegar, enquanto o povo de tuas margens fica à espera de algum barco ou expresso para levar até algum lugar necessário...
Teus sedimentos que antes geravam VIDA agora alimentam empresas que alimentam grupos econômicos-políticos... e quem paga a conta é teu POVO!!!
Até quando...!!!??

sexta-feira, 28 de julho de 2017

A FORÇA DA TRADIÇÃO, DA HISTÓRIA, DA MEMÓRIA E DA SOLIDARIEDADE NA VILA DE NAZARÉ

A FORÇA DA TRADIÇÃO, DA HISTÓRIA, DA MEMÓRIA E DA SOLIDARIEDADE NA VILA DE NAZARÉ, NO BAIXO RIO MADEIRA, AMAZÔNIA, PANAMAZÔNIA...
foto: Anny Barros Fotografia
A força da tradição Boi Curumim

Foto: Tanan Mura
Maloca Mura - a força da reafirmação indígena em Nazaré


Fernando Pessoa em um de seus poemas eternamente continua dizendo: "tudo vale a pena quando a alma não é pequena...". Porque sê-la se o mundo é tão grande lhe pergunto carxs leitores !?
Penso que as pessoas em sua maioria, em pleno século XXI, se sentem ausentes de si mesmas... como pensar nas outras se tenho que competir comigo mesma, se tenho que sanar minhas ansiedades no mundo capitalista e consumir, consumir cada novo dia novas novidades... é assim que percebo muitos ao meu redor...
Sair dessa roda gigante, dessa engrenagem que moe, que mata e que fere muita gente se torna tarefa dificil...
Mas é preciso coragem para sair deste banzeiro, é preciso olhar o mundo do século XXI com olhos de séculos que já marcaram a história da humanidade, de momentos em que a vida não era fácil, mas o jeito de vencer as dificuldades era se juntando, trabalhando em coletividade, nos sistemas de aldeias, de campesinato, de aldeões, de trocas, de reciprocidade...
É nesse modo de vida em construção, que na Vila de Nazaré o ano todo esse processo coletivo ocorre e de forma mais específica no mês de julho quando o Festival Folclórico Cultural acontece, que neste ano de 2017 foi a quinquagésima primeira (51) edição. Neste mês juntam-se todos e todas nesta empreitada...é gente da beira, das comunidades vizinhas, crianças, jovens, adultos e gente de longe do NAPRA - Núcleo de Apoio as Populações Ribeirinhas da Amazônia e os Doutores Sem Fronteiras, ambos do Estado de São Paulo, que irmanados às gentes da beira, do Instituto Socio Ambiental Minhas Raizes, do Instituto Madeira Vivo/Maloca Mura, da Universidade Federal de Rondônia e tantos outros e outras voluntários se hermanam na árdua tarefa de fazer o bem de forma solidária e não meramente assistencialista, na base da troca e como elemento maior desta o AMOR ao próximo.
Todos e todas movidos pela força da tradição, da história deste lugar, da memória dos que já se foram e deixaram o legado, na solidariedade pulsante fincam raízes e fazem a diferença onde o poder público não alcança...aqui a troca é de irmandade, de parente!
Se você quiser fazer parte deste processo é fácil, é só vir ver pra somar... faça como os amigos e amigas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, do Assentamento Coletivo 14 de Agosto, da Comissão Pastoral da Terra que já somaram a esta luta dos povos da beira dos rios...
Ispia maninho e manazinha as fotos abaixo e some-se, pois no coletivo é que a gente pode construir o Bem Viver...
Parabéns a todos e todas que fazem parte desta corrente do bem...tamo junto...
https://www.facebook.com/institutominhasraizes/photos/a.485400661528533.1073741829.484993161569283/1348006188601305/?type=3&theater 
https://www.facebook.com/caio.machado.1297?ref=br_rs&sw_fnr_id=1277442309&fnr_t=0 


terça-feira, 27 de junho de 2017

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO POVO KAXARARI...JUSTIÇA EM NOME DE MANOEL...


NOTA DE SOLIDARIEDADE, LUTO E POR JUSTIÇA.

NÓS DO INSTITUTO MADEIRA VIVO - IMV, Maloca Querida e Vozes Da Amazônia Imv nos enlutamos e nos solidarizamos com o Povo Kaxarari pela perda do parente Manoel Quintino da Silva kaxarari (40), que foi morto na Vila Marmelo, localizada na Br 364 entre Extrema de Rondônia e Vista Alegre do Abunã. Informações dão conta que por volta de 19hs de segunda-feira (26/06/17), dois homens encapuzados desceram de uma motocicleta e chamaram por Manoel, que ao atender, foi alvejado com tiro no rosto.
Esta região tem sido depredada pela sanha dos madeireiros e grileiros de terra dos Kaxarari, que já gerou várias denuncias aos órgãos de proteção e fiscalização.
Foi nesta região que em maio de 2011 foi assassinado Adelino Ramos, o Dinho, crime até hoje não solucionado.
Diante desta situação, exigimos dos órgãos de polícia apuração e punição aos executores de Manoel e aos mandantes, que ao que tudo indica envolve a extração ilegal de madeira.
Exigimos da SEDAM a suspensão de planos de manejo insustentáveis nesta região, até que se apure o crime e se identifique a legalidade ou não da extração de madeira desta região.
Nos somamos à COPIR - Coordenadoria dos Povos Indigenas do Governo de RO e à Opiroma Opiroma - Organização dos Povos Indigenas de RO, noroeste do MT e sul do AM na cobrança aos órgãos governamentais na apuração deste bárbaro crime.
JUSTIÇA JÁ! NENHUM INDÍGENA À MENOS! PRISÃO AOS EXECUTORES E MANDANTES...


http://painelpolitico.com/indio-kaxarari-e-morto-por-pistoleiros-na-ponta-do-abuna-em-rondonia/ 

sábado, 24 de junho de 2017

RELATO DA VIAGEM AO FOSPA TARAPOTO - PERÚ

com meu amiguinho e amiguinha no Fospa que queriam pegar no meu cabelo para saber se era de verdade...uma simpatia os dois...

RELATÓRIO DE VIAGEM AO VIII FÓRUM SOCIAL PANAMAZONICO – FOSPA/TARAPOTO
“Vamos al llamado del bosque” y de los rios!
PERÍODO DA VIAGEM: 24 DE ABRIL A 04 DE MAIO

PARTICIPANTES DA VIAGEM:
-Iremar Antonio Ferreira – Instituto Madeira Vivo;
-Miquéias Ribeiro – Movimento dos Atingidos por Barragens;
-Adriano Karipuna – Movimento Indigena;
-Lídia Anty Anty – Organizacion Comunal da Mujer Amazonica – Guayaramerin/Bolívia

Viagem de Ida
Antes de partirmos rumo à Tarapoto, na tarde do dia 24 de abril, as 14hs nos reunimos na sede da CPT/RO, juntamente com outros movimentos como Coletivo pelo Direito a Cidade e Central dos Movimentos Populares para nivelarmos sobre o FOSPA/Tarapoto e procedimentos de participação à distância, bem como sobre os eixos temáticos, subeixos e estratégia de participação de nossa delegação. Alguns membros da CPT já haviam partido rumo ao FOSPA.
Nossa viagem teve início as 21:30 do dia 24 rumo à Rio Branco no Acre. Deveríamos ter feito o mesmo juntamente com a CPT, porém, devido a comunicação da coordenação do FOSPA não ter sido clara, já que todo o processo foi construído e planejado para ocorrer entre os dias 28 de maio a 2 de junho, e assim nós adquirimos as passagens aéreas em tempo hábil para evitar transtornos e maiores tarifas. Entretanto, nas proximidades da realização do FOSPA foi informado que as oficinas autogestionadas ocorreriam dias 26 e 27, o que gerou transtorno em nossa participação, já que nossas passagens aéreas nos permitiria chegar somente dia 26 próximo da meia noite.
E assim foi, com nossa saída as 21:30 resultou que as cinco da manhã já estávamos saindo de viagem de táxi lotação de Rio Branco/AC rumo à Assis Brasil/Iñambari, cuja viagem transcorreu dentro da normalidade o que nos permitiu chegar na fronteira oficial por volta das 11hs e tão logo fizemos o permisso de saída do Brasil na Policia Federal já tomamos outro táxi lotação de Iñambari a Puerto Maldonado onde chegamos por volta das 14hs e após hospedarmos fomos almoçar. Nesta cidade pernoitamos porque nosso vôo sairia no dia seguinte, dia 25 as 11:40hs. Esse tempo nos permitiu andar e conhecer um pouco da cultura peruana nesta região do rio Madre de Dioz bastante castigado pelo garimpo de ouro, mas também de perceber que o potencial turístico na região do Parque Tambopata é intenso com presença de muitos turistas estrangeiros. Já os moradores da cidade são muitos solícitos e atenciosos.
No dia seguinte pelo meio da manhã seguimos para o aeroporto de onde partimos rumo à Tarapoto, mas antes paramos em Cuzco e Lima, capital do Peru, onde esperamos por algumas horas e seguimos para o destino final Tarapoto. Nesta cidade ficamos hospedados no Hotel Homagua, bem perto da praça central, de onde partiria a marcha de abertura no dia 28.
Na manhã do dia 27 nos dirigimos para a Universidad San Martin, território do FOSPA e podemos participar na parte da manhã de uma oficina sobre a Expansão de la palma azeitera em los bosques peruanos, organizado pela Oxfan e parceiros locais. Já na parte da tarde colaboramos com a CPT na oficina de lançamento do caderno de conflitos no campo 2016. Atendendo ao pedido da Coordenação metodológica do FOSPA, organizamos e movimentamos o campus universitário com uma marcha animada com músicas de luta, entre elas “Pra não dizer que não falei das flores”, com gritos de Fora Temer. Este ato chamou atenção da comunidade acadêmica até então à margem do que ocorreria dentro do Campus. Esta marcha percorreu por mais de duas horas as dependências da universidade, estando encarregados eu Iremar (violão), Miqueias (MAB) e Petronila (CPT) de fazer a animação, intercalada com falas de explicação sobre o momento político vivido no Brasil e a luta por democracia e importância da luta pelos bosques e rios. Ao regressar ao auditório foi concluído a oficina da CPT e em seguida teve inicio da oficina da International Rivers com Monti Aguirre, falando da estratégia jurídica de declarar rios como ser vivo nas legislações para garantir direitos humanos aos rios. Ainda deu tempo de participar da finalização da oficina promovido pela Oxfan e de apresentar a canção Pérola Azulada para fechamento desta oficina e abertura da próxima sobre Hidrelétricas na Bolívia, principalmente sobre UHE Bala e a experiência de resistência dos povos e comunidades da região, dizendo não à mesma. Foi importante estar com eles para convidá-los a somar-se na luta contra barragens na bacia do Madeira/Mamoré. Imagens que registram alguns passos relatados: https://www.facebook.com/iremar.ferreira/media_set?set=a.10213115958195784.1073741961.1299001563&type=3 .
Nesta tarde ainda foi possível (durante as inscrições das caravanas) encontrar representantes de outros rios da Amazônia e da Panamazônia e juntos cantar por liberdade de nossos rios.
Importante registrar que a presença de lideranças indígenas, militantes sociais, campesinos, pesquisadores entre outros vindos da Panamazonia e dos Andes deu nova dinâmica ao processo, já que esta conexão Amazonia-Andina é inseparável, ambas de conectam e sofrem problemas comuns com os câmbios climáticos, que necessita juntos pensar caminhos.
Na manhã do dia 28 nos encontramos no Campus da Universidad Nacional de San Martín, para seguir juntos ao Distrito de Lamas onde seria realizado o cerimonial de abertura pelo Pueblo Kichwa-Lamista, indígenas desta comunidade. De van seguimos em grupos para Lamas distante cerca de 40km. A mobilização dos presentes para seguir em marcha ocorreu no centro do pequeno distrito, animados pela juventude com seus atabaques deram o tom e passo da marcha por mais de 3 km (com nossas bandeiras, gritos e faixas) até chegarmos no local do cerimonial, o qual ocorreu de forma com profundo respeito à Madre Tierra por seus filhos e filhas locais e visitantes, num compromisso fecundo (plantado na terra) de continuar a luta pela terra viva, pelos rios, pelos bosques e por cidades sustentáveis e humanas.
Até a chuva veio nos brindar com sua presença e deixando a marca de lamas, barros em nossos pés. A partilha de deste momento nos deu a certeza de que nossa luta é comum em defesa da Mãe Terra, da Pachamama e do Bien Vivir.
Ao encerrar (alguns adquiriram produtos culturais da comunidade) e retornamos para o campus universitário pois já era 13hs e as 15:30 deveríamos estar na praça pra marcha de abertura.
As 15hs já chegamos na Plaza de Armas de Tarapoto e começamos animando o povo com músicas de luta, enquanto o povo chegava e colocava suas bandeiras de luta, faixas, instrumentos musicais no centro da praça para colorir e chamar a atenção para as diversas causas. A juventude articulada por MOCICC com seus tambores puxaram a marcha, que teve em sua frente as mulheres, depois povos originários/indígenas e em seguida os demais movimentos, entre eles nós do Brasil, da Aliança dos 4 Rios, que durante toda a caminhada fizemos a diferença com cantos e danças, animando os que nos acolhiam ao longo da marcha na beira das calçadas, principalmente as crianças que ao longo dos 8 km da marcha sempre estiveram presentes, nas portas das escolas, lojas ou com seus pais. Motivados, a criançada entrava no coro “por los bosques, por los rios”.
A marcha também se solidarizou com a greve geral no Brasil e o grito de Fora Temer e Democracia já tomou conta dos protestos ao longo da caminhada, embora muitos não sabiam o que estava acontecendo no Brasil e queriam saber porque este protesto, o que nos deixa claro que há boicote na informação externa da realidade brasileira. Éramos mais de duas mil pessoas na grande marcha que passou por ruas do centro comercial, cultural e religioso de Tarapoto para depois seguir por bairros, ruas empoeiradas ou enlameadas, pisando o chão do povo desta terra até chegar no campus universitário San Martin. Imagens desta grande Marcha e vários outros momentos podem ser vistos em: https://www.facebook.com/iremar.ferreira/media_set?set=a.10213150302214363.1073741962.1299001563&type=3 , onde nossa faixa da Alianza de los rios Panamazonicos, por los bosques y los rios marcou todos os processos de marchas e na tenda central.
Concluímos a marcha as 19hs no campus universitário e na tenda principal tivemos “Mesa inaugural, saludo y bienvenida: Gobernador Regional, Rector de la Universidad Nacional San Martín, Representantes de Comité Local, Comité Nacional, Comité Internacional, Representante del Foro Social Mundial”. Na sequencia tivemos a leitura da Carta de Macapá y Pre Foros Nacionales 2016 - Breve balance Carta de Macapá (Secretaría Nacional del VIII FOSPA): - Presentación de proceso y punto principal de cada Declaración de los Pre Foros Nacionales (Representantes de países); - Presentación del programa del VIII FOSPA (Secretaría Nacional del VIII FOSPA). A cerimônia foi encerrada com cantos indígenas abençoando os presentes.
No dia 29 pela manhã começamos as nove horas animando com cantos de luta e em seguida na grande plenária tivemos a Mesa de presentación sobre Territorialidad (problemática y agenda). Na sequência foi encaminhado os trabalhos para os Nueve Espacios de Diálogo y Debate en torno a la problemática de la Territorialidad en la Panamazonía-Andina:
• Mujeres Panamazónicas-Andinas
• Cambio climático y Amazonía
• Soberanía y seguridad alimentaria
• Megaproyectos y extractivismo
• Educación Comunitaria Intercultural
• Juventud Panamazónica Andina3
• Ciudades para vivir en la Panamazonía-Andina
• Descolonialidad del Poder y Autogobierno Comunitario
• Comunicación Panamazónica para la vida
A orientação dada é que “Cada Espacio de Diálogo y Debate analiza su tema teniendo como eje transversal la Territorialidad y Pueblos Amazónicos–Andinos y sigue “la metodología del cuidado” para identificar:
1. ¿Cuáles son los principales problemas y cómo nos impactan de manera diferenciada: mujeres/hombres, como pueblos?
2. ¿Qué hemos hecho frente a estas problemáticas?
Estes trabalhos tomaram conta de boa parte da manhã até o final do dia, quando ao retornar pra plenária cada eixo apresentou um resumo das discussões realizadas durante o dia, e indicativos de ações para superar desafios.
Eu pessoalmente participei do eixo Câmbio Climático y Amazonía, não somente dos debates, mas colaborando na transmissão ao vivo dos debates, conforme podem ser conferidos em: https://www.youtube.com/watch?v=1Sm-gW_DIeI; https://www.youtube.com/watch?v=byzzPeOUIE8 ;
Na noite deste dia 29 nós fizemos em nome de Brent da International Rivers o Lançamento do filme: Belo Monte depois da Inundação, como parte da ação da Aliança dos Rios Panamazônicos, com transmissão ao vivo conforme link: https://www.youtube.com/watch?v=fHlJoJL_M-s&t=87s . Tivemos a presença no final do filme da Maria Helena do Movimento Xingu Vivo; Adriano Karipuna – Movimento Madeira Vivo; Manoel Lopes – Aliança dos Rios Panamazonicos/Bolivia; Joilson – Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e eu Iremar Ferreira – Aliança dos 4 rios da Amazônia e Aliança dos Rios Panamazônicos/Brasil.
Devo registrar que atendendo a convite da Rede de Rádio ALER presente, por volta das 13hs participei de um programa para toda a Amazonía onde apresentei a canção: Reggae dos Rios Panamazonicos por mim construída para apresentar no FOSPA, conforme pode ser visto no vídeo: https://www.facebook.com/search/top/?q=aler%20satelital .
No dia 30 de maio iniciamos o programa as 9hs na grande plenária com um Ato de protesto e solidariedade ao Povo Gamela do Maranhão, que foi vítima de ataque de policias. O ato contou com a participação de muita gente e com o canto “Formigueiro” demarcou nossa dor e pedido de justiça. Na sequencia se deu a Mesa de presentación sobre Cuidado de los bienes de la Naturaleza (problemática y agenda). Em seguida fomos encaminhados para os Nueve Espacios de Diálogo y Debate en torno a las propuestas alternativas y procesos de resistencia al modelo de desarrollo capitalista, vinculadas al Cuidado de los Bienes de la Naturaleza.
Cada Espacio de Diálogo y Debate analiza su tema teniendo como eje transversal el Cuidado de los bienes de la Naturaleza y sigue “la metodología del cuidado” para identificar:
1. ¿Qué podemos hacer para fortalecer nuestras respuestas frente a las amenazas a la Panamazonía-Andina?
2. ¿Con quiénes podemos articularnos para visibilizar más nuestras agendas e incidir en los gobiernos de la Panamazonía-Andina?
No final do dia por volta das 17hs retornamos para a grande plenária para compartir os resultados e planos de ações, que balizariam a elaboração da Carta de Tarapoto.
Convém destacar que no dia de ontem e neste no início da noite foi realizado o Tribunal: Justicia y Defensa de los Derechos de las Mujeres Panamazónicas-Andinas.
Todos os dias e até as 22hs foram realizadas: Acto culturales y Feria de Productores, Feria Gastronómica, Feria de Libros y publicaciones, Exposiciones gráficas, Espacio Cultural permanente.
Nesta noite foi feita uma noite cultural promovida pelos brasileiros em apoio à candidatura da Guiana Francesa para o próximo FOSPA.
Neste dia 30 fui convidado ainda pela manhã voltei à Rádio ALER para apresentar a canção Pérola Azulada, do Zé Miguel e Joaozinho do Amapá, na versão em espanhol, o que rendeu mais um convite para cantar na Rede NAVE de comunicação dentro do território do FOSPA no momento do pessoal da rádio Pororoca do Amapá para animar nossa luta.
No dia 01 de Maio, dia do Trabalhador, iniciamos cantando a canção “Pra não dizer que não falei das flores” e em seguida iniciamos os trabalhos com a seguinte pauta:
-Plenária: Conclusiones finales y Pronunciamientos especiales: momento que foram apresentados os planos de ações e subscrição dos interessados em somar-se. Nós da Aliança dos Rios Panamazonicos apresentamos um painel e tivemos adesão de várias outras frentes/redes/organizações e pessoas.
Foram apresentadas as moções entre as quais a nossa da Aliança dos Rios Panamazônicos: “A Alianza de los Rios Panamazonicos fortalecidos con la realización del VIII FOSPA em Tarapoto, Peru, con el encuntro de pueblos de los bosques y de los rios, denuncia que la criación y o flexibilización de leis ambientales na Panamazonia, à exemplo do se passa en Brasil con la propuesta del "licenciamento flex" para acelerar la implantación de mega obra de infraestructura energetica, mineria y lo ogronegócio aceleran la usurpación dos territórios, la expulsión de pueblos indigenas y comunidades tradicionales promoviendo la muerte de nuestra Madre Tierra.
Dizemos no à expoliación de nuestros territorios, de nuestros bosques y de nuestros Rio Panamazonicos”.
- Designación de Sede del IX Foro Social Panamazónico: foi anunciado que a Colombia sediará o próximo FOSPA e a Guiana Francesa fica no indicativo para o subsequente;
- Elección de Comité de Seguimiento: A Colombia apresentou um conjunto de representações na composição do Comitê: religiosas, indígenas, campesinos, entidades parceiras, pesquisadores, etc.;
- Declaración final – Carta de Tarapoto, que pode ser acessada: http://www.forosocialpanamazonico.com/carta-de-tarapoto-viii-foro-social-panamazonico/ .
Ceremonia Espiritual Final de envio de todos e todas.
Foi encerrado as 13:30hs do dia 01 o FOSPA Tarapoto.
Nosso regresso ocorreu na noite do dia 02 devido falta de espaço nas aeronaves, onde chegamos perto da meia noite em Lima e ficamos até as 7hs da manhã do dia 03, seguindo até Cuzco onde ficamos mais umas três horas e depois seguimos para Puerto Maldonado, chegando as 11:45. Depois de almoçarmos as 13hs iniciamos retorno com táxi lotação até Assis Brasil e de lá com táxi brasileiro até Rio Branco onde chegamos por volta das 20:30hs e saindo as 22hs de ônibus para Porto Velho onde chegamos as 5hs da madruga do dia 04/05/2017. Dona Lídia ainda seguiu de ônibus para Guajara Mirim e de voadeira cruzando o rio para Guayaramerin. Nossa saga de ida, permanência e volta do FOSPA Tarapoto.
Aprendizados e Articulações:
-Intensa troca de informações desde em viagem com os membros da caravana, com os participantes de diversas regiões da Panamazonia e de outros países;
-Contribuir com a Comissão Organizadora no processo de mobilização e animação dos universitários, durante a Marcha de abertura e em momentos das mesas de trabalhos foi gratificante;
-Contribuir com a Equipe de Documentação e Registro filmando e transmitindo ao vivo partes do evento foi de grande importância para conectar pessoas distantes num evento de tamanha relevância para a Amazonía e Andina;
-Levar por meio da arte musical nossa luta por meio do palco ou pelas rádios: RED LAR e LA NAVE foi gratificante;
-Encontrar com pessoas de outras redes que atuam no tema Cambio climático e justiça social, para fortalecer a luta contra barragens foi importante para fortalecer a Aliança dos Rios Panamazonicos;
-Conhecer a vida das comunidades Lamas e da cidade de Tarapoto com suas motos nervosas, sua culinária tradicional foi prazeiroso e enriquecedor;
-Possibilitar que movimentos sociais diversos, por meio do projeto com apoio do Fundo CASA participassem deste momento é firmar alianças e compromissos de luta;
-Compreender que a Amazonía e os Andes enfrentam os mesmos desafios e somar-se faz com que tenhamos a certeza de que problemas comuns devam ser encarados estrategicamente juntos, pois menos bosques significa mais águas nos rios com o degelo e por sequencia inundações...
-Nossa luta já tá em continuidade com comunidades bolivianas com a construção de um projeto conjunto para três anos, na perspectiva de fazer um processo de intervenção em comunidades estratégicas na resistência aos projetos hidroelétricos de cachoeira Ribeirão e Esperanza;
-Nos permitiu fazer alianças com organizações que atuam no mesmo tema, na Bolívia, no Perú e na Colombia, para juntos promover um debate mais proativo em nível panamazonico no Fórum Alternativo Mundial da Água e Fórum Social Mundial em 2018 no Brasil;
-Trabalhar mais canções de luta (autoral ou não e traduzi-las para espanhol) e difundi-las por meio de mídia digital ou gravável, para socializar com pessoas interessadas de outros países;

-Nossa participação e aprendizado só foi possível pelo apoio viabilizado pelo Fundo Socioambiental CASA e Fundo Brasil de Direitos Humanos, aos quais agradecemos e fazemos o compromisso de seguir na luta em defesa dos bosques e dos rios... “nenhuma barragem mais nos rios da Panamazonia”.