sábado, 21 de julho de 2012

CONGRESSO EM FOCO REVELA A FACE OCULTA DOS CANTEIROS DE OBRAS NO MADEIRA

Deputados investigam tortura de operário de Jirau

Comissão de Direitos Humanos e a CPI do Tráfico de Pessoas investigam abusos de empresas e força excessiva da polícia em uma das mais importantes obras do PAC

MORTE DO PROJETO PESCA SUSTENTÁVEL NO RIO JACI-PARANÁ



Compartilho este vídeo... Parte de um sonho que morreu em dezembro/11 com a formação do lago da usina de Santo Antonio no Rio Madeira.
O projeto Pesca Sustentável que teve o patrocínio do Programa Desenvolvimento e Cidadania da Petrobras - edital 2008 e com início em 2009, objetivava implantar a criação de peixes em tanques redes, repovoamento e recuperação de mata ciliar com arvores nativas...
Após muito trabalho coletivo, coordenado conjuntamente pelo IMV e pela PIRÁ (organização coletiva dos pescadores tradicionais de Jaci-Paraná), esse sonho morreu e deixou muita decepção e revolta, principalmente com o descaso de representantes da Santo Antônio Energia.
Mesmo tendo acordado indenização realizada com representantes dessa, IMV e pescadores, a proposta foi totalmente rejeitada sem margem para negociação, o que levou o IMV como personalidade jurídica responsável, a entrar com ação na Justiça reivindicando os direitos devidos às famílias que viram seu sonho de gerar renda e segurança alimentar morrer repentinamente.
Técnico da empresa chega a acusar os pescadores afirmando que os peixes morreram de maus tratos e falta de alimentação, tamanho o absurdo do descaso para com aqueles que eles desalojaram da beira do rio, do peixe, da Vida tranquila...
Assim segue as marcas do desenvolvimento onde as empresas são senhoras do destino dos povos do Madeira...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO QUER SER MAIOR QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL


Porteira aberta nas Terras Indígenas

“Na prática a partir de agora, será possível construir bases militares, rodovias ou hidrelétricas em áreas demarcadas sem qualquer consulta às comunidades indígenas envolvidas ou ao órgão responsável”. O comentário é de Nathália Clark em artigo no sítio do Greenpeace, 18-07-2012, sobre a Portaria 303 da Advocacia-Geral da União (AGU).
Eis o artigo.
Não bastasse a aprovação no Congresso do Código “Florestal” ruralista; da PEC 215, que dá ao Legislativo a competência de decidir sobre as demarcações de Terras Indígenas; e da Medida Provisória nº 558, que altera o limite de oito unidades federais na Amazônia, agora até a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou no páreo para ver quem consegue acabar primeiro, e por qual frente, com a proteção ambiental no país.
Nesta terça-feira (17) foi publicada no Diário Oficial da União a edição da Portaria nº 303, que permite intervenções do poder público em Terras Indígenas sem a necessidade de consulta aos povos ou à Fundação Nacional do Índio (Funai).
O dispositivo prevê que “o usufruto das riquezas do solo, dos rios e dos lagos existentes nas Terras Indígenas pode ser relativizado sempre que houver relevante interesse público da União.” A norma dita ainda que o uso da terra pelos índios não impede a instalação, pela União, de “equipamentos públicos, redes de comunicação, estradas e vias de transporte, além das construções necessárias à prestação de serviços públicos.”
Isso quer dizer na prática que, a partir de agora, será possível construir bases militares, rodovias ou hidrelétricas em áreas demarcadas sem qualquer consulta às comunidades indígenas envolvidas ou ao órgão responsável. Com isso, o governo mais uma vez se curva ao poder do capital e dos grandes empreendimentos, em detrimento aos direitos de suas populações tradicionais, ferindo a Constituição Federal.
A Carta Magna brasileira, além de outras convenções internacionais ratificadas pelo Brasil no âmbito das Nações Unidas, prevê consultas aos povos indígenas sobre quaisquer atividades que os afetem. A ausência da mesma é hoje uma das principais queixas dos indígenas no processo de construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA), e é o principal argumento do Ministério Público para paralisar a obra.
A Portaria foi duramente criticada por organizações indigenistas. Em nota de repúdio, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), considerou-a como “mais um ato de profundo desrespeito e afronta aos povos indígenas e seus direitos constitucionalmente garantidos.”
Atores importantes na conservação
Graças às Terras Indígenas, cerca de 106 milhões de hectares estão hoje protegidos. Mesmo assim, outros casos, como o da Terra Indígena Marãiwetsédé, dos Xavantes, no Mato Grosso, demonstram a fragilidade da situação dos povos tradicionais no Brasil, e o descaso do governo com sua cultura, sua terra, seus direitos.
Enquanto a União foca seus interesses num modelo ultrapassado de desenvolvimento, o agronegócio criminoso expande sua fronteira em cima de áreas que lutam para manter-se preservadas. E as populações que as protegem são seguidamente desrespeitadas. Para acabar com a degradação ambiental, a única lei possível é a do Desmatamento Zero.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

CARTA DE SANTARÉM: BISPOS CONDENAM PROJETOS DE MORTE

Mensagem dos bispos da Amazônia por ocasião do Encontro em Santarém que terminou dia 6 de julho, encaminhada por Dom Erwin:


Irmãs e irmãos caríssimos em Cristo Jesus,
Povo de Deus na Amazônia,
“Não tenhas medo, cotinua a falar e não te cales, pois eu estou contigo“ (At 18,9)
“Cristo aponta para a Amazônia“ lembrava o Papa Paulo VI aos bispos da Amazônia por ocasião de seu encontro em Santarém, de 24 a 30 de maio de 1972, marco indelével na história da Igreja desta grande região brasileira, habitada por povos de culturas e tradições tão diferenciadas do outro Brasil.
Expressamos nossa gratidão ao Deus da vida porque nestes 40 anos, não obstante nossas fragilidades, nossa Igreja tem anunciado Jesus Cristo ressuscitado, caminho, verdade e vida e tem marcado presença junto ao povo sofrido, sendo muitas vezes a voz dos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, seringueiros e migrantes, nas periferias e em novos ambientes do centros urbanos animando as comunidades na reivindicação do respeito pela sua história e religiosidade. É também a vida destes povos, seu modo de viver, sua simplicidade, seu protagonismo, sua fé que nos encantam! Não faltou o testemunho de entrega da própria vida até o derramamento de sangue. Este testemunho nos anima, nos encoraja e nos fortalece. São também protagonistas religiosos e religiosas, pastorais, movimentos e serviços que tem sido uma força viva e atuante na realidade das nossas comunidades.
Constatamos avanços no campo social e político, com novos organismos de participação, conselhos de políticas públicas, participação nas campanhas por leis mais justas, aumento da consciência e engajamento na questão ecológica. No campo econômico, cresce o consumo e o poder aquisitvo embora nem sempre acompanhado do aumento da qualidade de vida. A vida na Amazônia continua sofrida.
Há séculos os povos da Amazônia gemem e choram sob o peso de um modelo de desenvolvimento que os oprime e exclui do “banquete da vida, para o qual todos os homens e mulheres são igualmente convidados por Deus“ (SRS 39). A Igreja ouve os gritos, às vezes desesperados, e se identifica com o seu clamor, conhece o seu sofrimento. Mais ainda, a Igreja declara que “as alegrias e esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e angustias dos discípulos de Cristo“ (cf. GS 1).
As decisões sobre o desenvolvimento da Amazônia sempre são tomadas a partir de fora e visam unica e exclusivamente a exploração das riquezas naturais sem levar em conta as legítimas aspirações dos povos desta região a uma verdadeira justiça social. Quando Paulo VI declarava que “o desenvolvimento é o novo nome da paz“ (PP 87), não pensava num “crescimentismo“ meramente econômico, unilateral e excludente, mas convidava a todos os povos da terra a empenhar-se por um mundo justo, fraterno e solidário, na perspectiva do Reino que Jesus veio a anunciar “para que todos tenham vida“ (Jo 10,10).
Como quarenta anos atrás, a Amazônia continua sendo considerada a “colônia“, mesmo que abranja mais da metade do território nacional. Para a metrópole – Brasília, o sudeste e o sul do País – Amazônia é apenas “província“, primeiro província madeireira e mineradora, depois a última fronteira agrícola no intuito de expandir o agronegócio até os confins deste delicado e complexo ecossistema, único em todo o planeta. De uns anos para cá a “província“ recebeu mais um rótulo, sem dúvida o mais desastroso, pois implicará a sua destruição programada, haja visto o número de hidrelétricas projetadas para os próximos anos: a Amazônia é declarada a província “energética“ do País. Sob a alegação de gerar energia limpa se esconde a verdade de que mais florestas sucumbirão, mais áreas, inclusive urbanas, serão inundadas, milhares de famílias serão expulsas de suas terras ancestrais, mais aldeias indígenas diretamente afetadas, mais lagos artificiais, podres e mortos, produzirão gases letais e se tornarão viveiro propício para todo tipo de pragas e geradores de doenças endêmicas.
A história da Amazônia revela que foi sempre uma minoria que lucrava às custas da pobreza da maioria e da depredação inescrupulosa das riquezas naturais da região, dádiva divina para os povos que aqui vivem há milênios e os migrantes que chegaram ao longo dos séculos passados.
Santarém 1972: Encarnação na Realidade e Evangelização Libertadora
Como já em 1972, os bispos reunidos em Santarém de 2 a 6 de julho de 2012 não detectam apenas os mecanismos perniciosos responsáveis pela miséria dos povos e a devastação das florestas, mas os denunciam como responsáveis de gerar “ricos cada vez mais ricos às custas e pobres cada vez mais pobres“ (João Paulo II, Discurso inaugural de Puebla, 28 de janeiro de 1979) e de um meio-ambiente cada vez mais deteriorado. O “lar“ (em grego “oikos“ – daí a palavra “ecologia“) que Deus criou para todos nós não pode ser explorado até a exaustão, mas exige cuidado, zelo, amor, também em vista das futuras gerações. Os cientistas alertam sempre mais que a devastação da Amazônia terá consequências irreversíveis para o clima do planeta e se torna assim uma ameaça à vida e sobrevivência de toda a humanidade.
Em 1972 os bispos da Amazônia já identificaram graves feridas neste mundo de selvas e águas que atingiram violentamente os povos originários e tradicionais da região. Como 40 anos atrás, também hoje os bispos se entendem como mensageiros dos povos da Amazônia, profetas que vivem numa grande proximidade com Deus e ao mesmo tempo sintonizados com os acontecimentos históricos, homens de fé que „vêm da grande tribulação“ (Ap 7,14). Nestes nossos tempos, as feridas se tornaram chagas abertas que perpassam e sangram a Amazônia de fora a fora, causando cada dia mais vítimas fatais.
As prioridades da ação pastoral e evangelizadora apontadas em 1972 continuam atualíssimas. Até hoje uma formação adequada à essa região para ministros ordenados, mas também para leigas e leigos que dirigem as comunidades, é fundamental. Importa encarnar a Igreja no chão concreto da Amazônia. Quem exerce um ministério, ordenado ou não, participa do pastoreio de Jesus e está a serviço de seus irmãos e irmãs e quer exercê-lo na simplicidade do lava-pés e numa proximidade fraterna ao Povo de Deus.
As Comunidades Cristãs ou Eclesiais de Base tão recomendadas no Documento Santarém 1972 são expressão de uma Igreja viva e comprometida. Como os bispos já afirmaram em Manaus (2007), elas constituem um dom especial que Deus concedeu à Igreja na Amazônia. São obra do Espírito Santo. O que o Documento de Aparecida afirma, aplica-se de modo especial à Amazônia. As CEBs, diz o documento, “têm sido escolas que têm ajudado a formar cristãos comprometidos com sua fé, discípulos e missionários do Senhor, como o testemunha a entrega generosa, até derramar o sangue, de muitos de seus membros” (DAp 178). As CEBs são também uma resposta válida e empolgante para o mundo urbano ao individualismo e a superficialidade do consumismo. Nas CEBs se vive a dimensão samaritana da compaixão ativa e de inter-ajuda, de um coração e mãos abertas para quem sofre ou passa necessidade, mas também a dimensão profética de anunciar continuamente a utopia do Reino e, ao mesmo tempo, denunciar todos os mecanismos e estruturas que impedem a chegada do Reino. É exatamente esta dimensão profética que gerou as e os mártires da Amazônia. As CEBs constituem-se em família das famílias onde todos se conhecem e querem bem, mas são também centros de oração e meditação da Palavra de Deus para nutrir a mística profunda da vivência na proximidade de Deus. Ele mesmo se revelou como um Deus-conosco e assegurou aos profetas, apóstolos, discípulas e discípulos: “Eu estarei contigo“ (cf. Ex 3,14; Js 1,9; Jr 1,19; At 18,9-10). Afinal “se Deus está conosco, quem será contra nós“ (Rom 8,31).
Santarém 1972 assume a questão indígena como causa de toda a Igreja na Amazônia. Lembra que no mesmo ano por iniciativa dos bispos, mormente dos da Amazônia, foi fundado o Conselho Indigenista Missionário – Cimi. Os bispos talvez não imaginavam quarenta anos atrás o imenso apoio que sua decisão significava aos direitos e à sobrevivência de dezenas de povos indígenas na região amazônica que, sem o empenho intransigente da Igreja, teriam desaparecido. A presença solidária e o apoio incondicional à luta por seus direitos foi fundamental para que hoje a maioria dos povos indígenas da região tenha suas terras demarcadas. Foi também de enorme importância gerar uma consciência de respeito e valorização dos povos, suas culturas e seus projetos de “Bem Viver“. Dezenas de povos saíram do silêncio em que foram forçados a se ocultar para sobreviver. Ressurgiram das cinzas e estão lutando pelos seus direitos e suas terras. Alem disso a atuação corajosa dos missionários, selando seu compromisso através do sangue derramado pela vida desses povos, propiciou o surgimento de articulações e organizações dos povos indígenas, essenciais para a conquista de seus direitos e sua autonomia. Os riscos de extermínio de vários grupos indígenas em estado de isolamento voluntário, exige um renovado compromisso com a sobrevivência de milhares de vidas e povos ameaçados de extinção.
Na perseverança salvareis vossas vidas (Lc 21,19)
Deparamo-nos hoje com uma verdadeira enxurrada de grandes projetos que os Governos querem implantar, seguindo a estratégia do “fato consumado“. Não há discussão, nem consulta popular que merecesse este nome. Decide-se e executa-se. Oponentes são criminalizados ou taxados de inimigos do progresso. Também os ribeirinhos, seringueiros, quilombolas, e outros povos tradicionais sofrem pela falta de reconhecimento de suas terras.
A ética na política prometida à nação e esperada pelo povo brasileiro cedeu lugar a uma sequencia ininterrupta de escândalos de corrupção em todos os níveis governamentais.
Somado a estes desafios nos deparamos com a emergência do fenômeno urbano, com o inchaço nas periferias das grandes cidades, exploração sexual, tráfico de pessoas e de drogas, violência. Em vez de investimentos em políticas públicas de saneamento básico, saúde, educação e segurança, o Estado prioriza políticas compensatórias, apoia e incentiva o grande capital, investe na construção de estádios monumentais e outras obras faraônicas.
“Podem roubar-nos tudo, menos a esperança” (D. Pedro Casaldáliga). No caminho de “Santarém”, novamente nos lançamos nas estradas e rios, nas aldeias e quilombos, nos interiores e periferias das cidades, nos grandes centros urbanos desta imensa Amazônia, abraçando a Missão que nos foi confiada, comprometidos com toda a criação e na busca de sermos autênticas comunidades de fé alimentadas pela Palavra e pela Eucaristia. Nesta hora da história, o nosso coração às vezes se angustia por causa de tantas dificuldades que nos desafiam, aparentemente insuperáveis; no entanto, continuamos a ser chamados e enviados como missionários e profetas para alimentar a esperança, como âncora firme e segura (cf Hb 6,19), de um mundo novo, inaugurado por Jesus Cristo Crucificado e Ressuscitado.
Santarém, 6 de julho de 2012

segunda-feira, 16 de julho de 2012

RELATÓRIO DHESCA SOBRE O RIO MADEIRA DE 2008 - O QUE MUDOU?

RELATÓRIO DHESCAs
CONCLUSÃO E RECOMENDAÇÕES AO GOVERNO BRASILEIRO
Os compromissos que constam nos tratados e convenções internacionais têm natureza vinculante para os países signatários, acarretando obrigações e responsabilidades aos Estados pela falta de cumprimento das obrigações assumidas. Por omissão de um conjunto de agentes estatais, foram violados direitos fundamentais cuja proteção é de competência tanto do governo federal quanto dos estados e municípios.
O Estado brasileiro deve ser chamado à responsabilidade para cumprimento dos diplomas internacionais que garantem a defesa e promoção dos direitos humanos, em especial no que toca às suas obrigações para promoção de políticas sociais, econômicas, ambientais e culturais adequadas à sua população. Tendo em vista os vícios de origem presentes no modo como o Executivo brasileiro decidiu-se pela construção das hidrelétricas do Madeira, a Relatoria recomenda ao governo brasileiro:
1) Imediata suspensão de quaisquer atos relativos ao licenciamento das usinas de Santo Antonio e Jirau, com nulidade da licença prévia concedida e nulidade do leilão da usina Santo Antonio;
2) Avaliação detalhada, independente e participativa das necessidades energéticas do país com base em um modelo multicriterial, que inclua outros valores além daqueles próprios à economia de mercado, como a preservação de modos de vida tradicionais, patrimônio ambiental, cultural, histórico e paisagístico;
3) Debate público sobre as diferentes alternativas para atender às necessidades do país, priorizando as políticas de eficiência energética e otimização do potencial já instalado;
4) Adoção de política energética descentralizada, segura e ambientalmente adequada, evitando-se hidroelétricas de grande porte, conforme recomendação da Comissão Mundial de Barragens ;
5) Garantir que a água e energia, bens vitais para a subsistência da população, estejam sob controle do Estado e sejam fornecidos a preços e em qualidade adequada, impedindo-se a privatizacão e mercantilizacão do setor.
Mesmo no caso em que as autoridades do país mantenham a decisão política de construir as hidrelétricas no rio Madeira, recusando-se a empreender uma avaliação detalhada, independente e participativa das necessidades energéticas do país, a Relatoria considera indispensável a adoção das seguintes recomendações:
1) Anulação da licença prévia e do leilão realizado para a usina Santo Antônio, com a conseqüente suspensão imediata da obras até que as medidas abaixo mencionadas sejam tomadas;
2) Realização de estudos de impacto ambiental em toda a bacia do Madeira, em particular nos territórios boliviano e peruano e demais estados brasileiros circundantes (Acre, Amazonas e Mato Grosso), excluindo-se a possibilidade de postergação das condicionantes para etapas posteriores;
3) Levantamento detalhado de índios isolados na região por parte da Funai e demarcação e homologação dos territórios indígenas;
4) Levantamento completo e respectiva proteção de todo o patrimônio histórico arquitetônico arqueológico da região;
5) Negociação com os governos peruano e boliviano para decisão institucional sobre viabilidade e interesse no empreendimento;
6) Realização de um amplo processo de regularização fundiária na região, incluindo titulação das terras de comunidades ribeirinhas e demarcação dos territórios indígenas já reivindicados junto à FUNAI;
7) Realização de consultas às populações potencialmente atingidas, para obtenção de consentimento prévio por parte de povos indígenas e comunidades tradicionais;
8) Garantia do direito à informação e discussão através de audiências publicas com efetivo poder de participação e compreensão pelos participantes;
9) Compensação financeira e social de todos os atingidos pela barragem de Samuel por parte da Eletronorte;
10) Revisão e discussão participativa do Plano Diretor da cidade de Porto Velho, com imediata realização de audiências públicas;
11) Apuração de denúncias sobre abuso de poder contra pescadores por parte de técnicos da SEDAM, através de abertura de processo administrativo e punição dos responsáveis;
12) Instalação de Ouvidoria na SEDAM para melhor registro e acompanhamento das denúncias sobre atuação de técnicos que exercem poder de policia ambiental.

São Paulo, abril de 2008
Marijane Lisboa
RELATORA NACIONAL PARA O DIREITO HUMANO AO MEIO AMBIENTE
Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais –
DHESCA Brasil

VÍDEO DA PARTICIPAÇÃO INDÍGENA NA RIO+20

POVOS INDÍGENAS NA CÚPULA DOS POVOS... Um olhar de Rebeca Sommer
Assista o filme aqui

quarta-feira, 11 de julho de 2012

CONHEÇA POVOS INDIGENAS AMEAÇADOS. BRASIL TEM DESTAQUE!

A Associação para os Povos Ameaçados (APA) publicou um novo relatório sobre as ameaças atuais que afligem os povos indígenas da Amazônia brasileira. O relatório denuncia a situação que é muito preocupante, e alerta para um futuro sombrio se não forem tomadas medidas para mudá-la. A APA propõe um conceito que poderá reduzir diversos conflitos: a implementação conseqüente do direito dos povos indígenas ao consentimento livre, informado e prévio, o chamado CLIP, a todas as atividades exercidas por terceiros que os afetem ou os seus estilos de vida.
No site http://assets.gfbv.ch/downloads/endfassung_portugiesisch.pdf é possível baixar o relatório „Promessas não cumpridas – Futuro sombrio: Os povos indígenas e a Amazônia tem que pagar pela ganância por recursos naturais?”

O relatório também existe em inglês e alemão:
www.gfbv.ch/broken_promises
www.gfbv.ch/gebrochene_versprechen

PROGRAMA VOZES DA AMAZÔNIA TEM APOIO DO FBDH

http://www.fundodireitoshumanos.org.br/v2/uploads/files/Revista_5anos.pdf

http://www.fundodireitoshumanos.org.br/v2/pt/page/view/quem-somos

Acessem o site do Fundo Brasil de Direitos Humanos, que do mês de agosto em diante passa a ser patrocinador do Programa Vozes da Amazônia. Dessa forma, seguimos anunciando e denunciando as mazelas, as violações dos direitos sócio-ambientais na bacia do Madeira.
Neste site tem editais abertos para outras possibilidades, entre elas de ações com mulheres...
Boa leitura... Avante os Direitos Humanos....

NO A MUERTE DE LOS PUEBLOS DEL PERU

REPUDIO A LA REPRESION Y DETENCIONES MASIVAS EN PERU
  
Nuevamente en el Perú están ocurriendo hechos de violencia, que han producido en los últimos días un saldo de 4 muertos a manos de las fuerzas represivas, detenciones masivas y una gran cantidad de heridos en la región de Cajamarca, contra pobladores que se manifestaban en contra del Proyecto Conga, un emprendimiento que como todos los estudios científicos han demostrado es absolutamente inviable, ya que amenaza con la destrucción de las fuentes hídricas y la vida en ese lugar.

Asimismo, el 4 de julio fue detenido brutalmente el reconocido dirigente político y social Marco Arana, ex sacerdote y sociólogo, quien se ha ganado a nivel nacional e internacional un lugar destacado por su compromiso con las poblaciones en lucha contra la megaminería, y por su labor pacifica en favor de la vida y la protección de los bienes comunes. Gracias a una orden de comparecencia de la fiscal a cargo, Marco Arana fue liberado un día después.

Sin embargo, la embestida represiva del actual gobierno peruano está lejos de ser un hecho aislado. El actual proceso de militarización se asemeja a los hechos vividos poco menos de un mes atrás en la región de Cusco, donde también la resistencia contra la megaminería fue respondida con represión, persecución y asesinatos. En el año que se apresta a cumplir el gobierno de Ollanta Humala, olvidado de sus compromisos electorales, lleva ya 15 muertospor represión a la protesta social, en lo que aparece como un sangriento proceso de afianzamiento del modelo extractivista, en clara alianza con las grandes corporaciones trasnacionales y los sectores militares.

Como intelectuales y activistas consideramos que no es con más criminalización y represión que los conflictos relativos a la megaminería pueden resolverse, sino por la doble vía de un genuino debate de sociedad sobre las consecuencias que acarrea el modelo minero y de la democratización de las decisiones, tal como demanda hoy el pueblo de Cajamarca y tantas otras localidades, provincias y países de América Latina.

Llamamos a toda la comunidad internacional a repudiar los hechos de violencia que están ocurriendo en Cajamarca y adherimos a la lucha del pueblo peruano contra la alianza minera-militar que promueve el gobierno de Humala.

Hugo Blanco (Perú), Adolfo Pérez Esquivel, Premio Nobel de la Paz (Argentina),Edgardo Lander (Venezuela), Raúl Zibecchi (Uruguay), Maristella Svampa (Argentina), Alberto Acosta, ex presidente de la Asamblea Constituyente (Ecuador), Margarita Aguinaga, AMPDE (Ecuador), Dunia Mokrani (Bolivia), Enrique Viale (Argentina), Floresmilo Simbaña (CONAIE-Ecuador), José Seoane (Argentina), Alejandra Santillana, AMPDE (Ecuador) Sandra Rativa, Poder y Unidad Popular (Colombia), Javier Gómez (Bolivia), Alexandra Almeida, Acción Ecológica (Ecuador), Esperanza Martínez Red Oilwatch (Ecuador), Roberto Gargarella (Argentina), Rubén Lo Vuolo (Argentina), Luis Tapia (Bolivia), Fernando Pino Solanas, Proyecto Sur (Argentina), Nicolás Tauber (Argentina), José Onaindia (Argentina), Massimo Modonesi (México), Pablo Ospina (Ecuador), Mirta Antonelli (Argentina), Mario Galvano (Argentina), Patricia Zangaro (Argentina), Pablo Bergel, Proyecto Sur (Argentina), Claudia Korol (Argentina), Javier Rodríguez Pardo (Argentina), Raúl Prada (Bolivia), William Sacher (Ecuador) Gabriel Levinas (Argentina), MarioBlaser (Canada)

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Ana Esther Ceceña
Observatorio Latinoamericano de Geopolítica
Instituto de Investigaciones Económicas, UNAM
(52 55) 5623 0100 extensión 42418
www.geopolitica.ws

PARA ONDE VAI A FLORESTA DO BRASIL

Por: Marcos Chagas
Da Agência Brasil

A falta de mobilização de ambientalistas e entidadesrepresentantes do setor permitiu a radicalização em torno da Medida Provisóriado Código Florestal (MP 571/2012) e a abertura para que ruralistas queiramretirar do texto avanços na área ambiental. O senador Jorge Viana (PT-AC), quefoi um dos relatores do projeto de lei do código no Senado, destacou que afalta de votos no Congresso prejudica ainda mais o jogo de pressão parapreservar o meio ambiente.
“A questão ambiental hoje no Brasil, lamentavelmente, tem apelogrande na sociedade, tem posição do governo favorável, mas, dentro doParlamento, é difícil fazer debate porque nós temos poucos votos”, disse oparlamentar. Viana destacou que não cabe à bancada ambientalista promover “umintenso debate” para que se chegue a um consenso mínimo.

VIOLÊNCIA É A MARCA DAS GRANDES OBRAS

Tortura em Jirau: jovem operário relata violência e prisão ilegal no Pandinha em Porto Velho

Mara Paraguassu
“Eu estava com carteira de cigarro e isqueiro na mão. Um policial chegou por trás de mim, começou a me xingar e me bater, dizendo que eu tinha botado fogo”.