sábado, 30 de abril de 2011

QUANTO VALEM AS LEIS INTERNACIONAIS QUANDO O INTERESSE DO CAPITAL É MAIOR ?

Dilma retalia OEA por Belo Monte e suspende recursos



País deixará Comissão de Direitos Humanos e não vai repassar US$ 800 mil em resposta a pedido de suspensão de obras.
Brasil já havia suspendido indicação de Paulo Vanucchi para comissão e convocado representante na OEA .


FSP, 30/04/2011
DE BRASÍLIA

O governo brasileiro decidiu jogar duro com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos): deixará o órgão a partir de 2012 e suspendeu, por ordem presidente Dilma Rousseff, o repasse de verba à entidade previsto para este ano, de US$ 800 mil.
A reação do Brasil veio após a comissão pedir, em abril, a interrupção das obras de Belo Monte. O órgão alegou irregularidades no processo de licenciamento ambiental da hidrelétrica de Belo Monte, atendendo a uma medida cautelar de entidades indígenas que questionaram o empreendimento.
Como reação à época, a diplomacia brasileira usou termos fortes e pouco usuais. Chamou a decisão de "precipitada e injustificável" e alegou não ter tido tempo suficiente para se defender.
Irritada com o que considerou interferência indevida, Dilma quis mostrar um posicionamento ainda mais duro: convocou de volta ao país o representante do Brasil na OEA, embaixador Ruy Casaes. Ele, até agora, ainda não recebeu autorização para retomar seu posto em Washington, tampouco sabe quando o terá.
A comissão integra o sistema interamericano de direitos humanos nas Américas. Embora ligada à OEA, é um órgão formalmente independente; não representa países, embora a indicação venha deles. Seus sete membros, entre eles o brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, são eleitos por assembleia-geral.
O Brasil havia apresentado o nome de Paulo Vanucchi, ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos no governo Lula, para substituir Pinheiro a partir de janeiro de 2012. A indicação, porém, acabou suspensa em caráter irrevogável.
A relação pode piorar ainda mais. Isso porque a comissão passou a analisar uma nova reclamação de ONGs, que contestam obras no Rio para a Copa-2014 e Olimpíada-2016, eventos caros a Dilma. Quando soube do novo processo, Dilma mandou um recado às lideranças do órgão: se isso for levado adiante, levará o caso à própria OEA, dando contornos de crise real ao caso.
No caso de Belo Monte, o Brasil argumenta que a CIDH concedeu apenas 28 dias para que o governo se explicasse, quando o prazo médio de solicitações semelhantes supera a marca de 100 dias.
Nessa semana, o governo enviou à entidade um relatório de 52 páginas explicando sua atuação no empreendimento junto às comunidades locais. Disse ter ouvido as comunidades indígenas da região e que está atento aos efeitos sociais e ambientais da iniciativa.

(NATUZA NERY)

MUNDURUKU DE JACAREACANGA NO PARÁ CONTRA COMPLEXO TAPAJÓS...

Indígenas Munduruku reúnem-se para discutir hidrelétricas no rio Tapajós





Nos dias 25 e 26 de abril de 2011, em um encontro organizado pela Associação Indígena Pussuru em parceria com o Fórum da Amazônia Oriental (FAOR), cerca de 70 indígenas Munduruku do Alto Tapajós, representantes de 19 aldeias, reuniram-se na Aldeia Saí-Cinza - Terra Indígena Saí-Cinza, Município de Jacareacanga no Estado do Pará, para debaterem sobre os impactos que o complexo hidroelétrico Tapajós/Teles Pires, caso venha a ser construído, pode causar em seus modos de vidas.

Para muito dos presentes no encontro, a sensação de medo ficou evidente, pois teme que, como em outras obras do PAC, às comunidades indígenas não sejam ouvidas e que tenham seus direitos constitucionais desrespeitados em benefício do consórcio empreendedor.

Flaviano Akay da Aldeia Trairão, foi enfático em afirmar que “Nós, Munduruku, não queremos de jeito nenhum este projeto, pois irá trazer problemas para nós e nossos filhos”. Osmarino Manhuary, capitão (cacique) da aldeia Jacarezinho, afirmou que ”nossos pensamentos são de dizer para o governo que nós somos os primeiros habitantes do Brasil, que nós somos verdadeiros brasileiros, por isso, não dá para o governo construir seu projeto sem consultar a comunidade indígena”

Para Francisco Saw, da aldeia Maloquinha, Rio das Tropas o encontro foi importante por que agora “nós todos estamos cientes sobre a barragem, por que foram mostradas no vídeo as conseqüências do projeto e os problemas que podem existir no nosso futuro”.

Ao invés de barragens nos rios, os indígenas propuseram que governo traga programas para beneficiar a comunidade em relação à saúde e a educação indígena, já que segundo um dos participantes do evento, “isso o governo não traz para as comunidades”.

Durante o encontro foram exibido vários vídeos com depoimentos de pessoas atingidas (UHE de Estreito no Rio Tocantins) e ameaçadas (UHE de Belo Monte no rio Xingu) pela a construção de usinas hidroelétricas.
Ao final foi aprovada por unanimidade uma carta, com os principais posicionamentos dos Munduruku em relação as hidroelétricas, que deverá ser encaminhada a imprensa, MPF e órgãos governamentais.


Mais informações: Haroldo Saw Munduruku
Coordenador de Projetos
Associação Indígena Pussuru
(93) 9117 6626
haroldosaw@bol.com.br



Carta Aberta dos Povos Indígenas Munduruku do Alto Tapajós.

Nós indígenas Munduruku, representantes das aldeias Saí-Cinza, Caroçal Rio das Tropas, Boca do Caroçal, Vila Nova, Bananal, Boca das Tropas, Karapanatuba, Jacaré Velho, Jacarezinho, Jardim Kaburuá, Porto, Biriba, Katõ, Estirão das Cobras, Maloquinha, Monte Alegre, São João, Trairão, Missão Velha, reunidos na Aldeia Saí-Cinza - Terra Indígena Saí-Cinza, Município de Jacareacanga, Pará, nos dias 25 e 26 de abril de 2011, vimos através desta Carta Aberta declarar a toda a sociedade que:

Nós, Munduruku, não queremos de jeito nenhum os Complexos Hidroelétricos do Tapajós e Teles Pires nos nossos rios, pois irão trazer problemas para nós e nossos filhos;

Queremos dizer ao governo que nós somos os primeiros habitantes do Brasil, que nós somos os verdadeiros brasileiros, por isso, não dá para o governo construir seus projetos sem consultar os Povos Indígenas;

Sabemos que se construir uma barragem, o governo vai construir todas. Por isso, nós devemos lutar para não acontecer à construção de nenhuma;

Exigimos que as autoridades do Governo, antes de pensar em qualquer projeto dentro ou no entorno das terras indígenas, que venham se fazer presentes e não mandem seus secretários ou representantes e que respeitem o que está escrito na Constituição Federal de 1988 e na Convenção 169 da OIT no que diz respeito aos direitos dos Povos Indígenas ;

Denunciamos que o governo não liga para os pobres, só para os grandes empreendedores. O governo olha pra nós como se fôssemos ninguém;

Denunciamos ainda que a barragem com certeza vai interferir em nossa cultura e por isso exigimos que, ao invés de apresentar projetos que vão destruir nosso modo de vida, o governo mostre programas para beneficiar as comunidades em relação à saúde e a educação indígena.

Declaramos a nossa solidariedade a todos os nossos parentes dos rios amazônicos que também estão ameaçados pelos projetos hidroelétricos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do Governo Federal

Lembramos que nós devemos ser fortes nesta luta, nós temos que dizer não às barragens. Se nós formos fracos, o governo vai nos pisar.

Por isso não queremos barragens, porque com nossos rios livres, nós temos liberdade de pescar, de caçar e trazer alimentos para a família e filhos.

Sabemos que os grandes projetos de hidroelétricas vão acabar com tudo. Os rios, peixes, terra são a nossa vida. Por isso, o governo tem que nos respeitar, por que nós estamos vivos ainda.

NÃO ÀS HIDROELÉTRICAS NOS RIOS TAPAJÓS E TELES PIRES!
VIVA OS NOSSOS RIOS, VIVOS PARA SEMPRE!

Aldeia Saí-Cinza, Jacareacanga – PA, 26 de abril de 2011

quinta-feira, 28 de abril de 2011

COMO UMA VIAGEM DE ÔNIBUS É INTERESSANTE... estressante...








Caros e Caras leitor@s, boa noite...

Acabei de chegar de ônibus vindo de Ji-Paraná, após uma manhã de reunião com a FETAGRO sobre Base de Serviço de Comercialização no Território Central...

Então, na viagem de ônibus apesar de cansativa também tem seu lado interessante que é a troca de informação... as pessoas ao enjoar do silêncio, do cochilo remuntado busca algo mais o que fazer... alguém para conversar... Assim sou eu, aproveito bem para trocar informações... neste retorno na tarde/noite de hoje não foi diferente...
Conheci dois cabras de estados completamente diferentes: Davi, chegando de Londrina no Paraná e "rubinho" retornando de Santarém do Pará. O primeiro de férias, conhecer Porto Velho e rever seu irmão, já o segundo, voltando para o canteiro de obras em Jirau...
Para Davi tudo novidade, embora tenha conhecimento on line da região... logo bem vindo ao porto... velho... em construção...
Já "rubinho", retorna ao "inferno" como ele caracteriza o imagem do dia que fugiu dos tiros com bala de borracha e spray de pimenta usado pela COE para dispersar a multidão de trabalhadores no dia da revolta no canteiro de obras em Jirau...
Talvez realmente "rubinho" saiba o que é o inferno no referido canteiro de obras diante dos fatos estarrecedores que me narrou e que ele presenciou... fatos estes desconhecidos por nós moradores de Porto Velho, cujo processo de abafamento consegue nos deixar desinformados para não gerar consternação...
Pois é, não vou tratar de todos, mas recordo de um que sucedeu no início do ano que foi o caso de uma trabalhadora que foi estrupada e veio a óbito dentro de alojamento masculino no lado direito, quando esta foi visitar seu namorado e foi vítima de uma "emboscada sexual"...
Não se assuste! É o inferno que "rubinho" vive todo dia...
Ele disse que seus familiares se assustaram quando ele chegou em Santarém... todos tinham tido a notícia de que ele tinha sido assassinado... que susto disse ele, meus vizinhos nem acreditavam que eu estava vivo...
Ele narra ainda que na região da "usina do amor" muitas pessoas sumiram... o passaporte para entrar no local era ter que comprar drogas dos traficantes que ficavam nas margens do caminho que levava até o local... no retorno muitos já embriagados tinham sua grana roubada... "tem gente que sumiu no caminho de volta"...
Não me pergunte se isso é verdade porque nunca fui lá... será que o MPF e MPE sabem disso, ou conhecem estas situações? É hora de passar a limpo... onde há fumaça já teve fogo...

talvez seria melhor se a viagem de ônibus tivesse ocorrida rapidamente e assim eu nem teria tido tempo para conhecer estas entranhas do "progresso, do desenvolvimento"... realmente estão des-envolvendo nossos sonhos de acabar com a miséria neste país, na pan-amazônia... é preciso ter coragem, reiventar o sonho...

Áh, ia me esquecendo... bem vindo Davi...!